domingo, 11 de abril de 2010

Minha primeira vez com Bergman

Para alguns isso pode soar estranho, para outros normal. O fato é que até a última sexta-feira eu nunca havia visto nenhum filme de Ingmar Bergman. Não por descaso ou desgosto... Não aconteceu antes, essas coisas da vida. Claro, não tenho formação em cinema, não sou pesquisadora da sétima arte, nem mergulhei nos clássicos antes de começar a gostar de assistir filmes. Meu amor pelo cinema_ sentimento tranquilo, paciente e pleno que é_ jamais me fez afoita e desesperada. Fui me deixando levar pelos filmes mais simples, aqueles de sessão da tarde... Depois passei a devorar todas as fitas da videolocadora até que não restasse nada novo que eu não tivesse visto. E, num movimento natural, comecei a me interessar pelos filmes mais originais_no sentido de origem e de originalidade_, pelos diretores mais destacados, pelos atores mais performáticos... Enfim, quando me dei conta, não podia mais viver sem o cinema.

E como os filmes reacendem eternamente a paixão no plácido sentimento de amar a sétima arte, toda vez que me apaixono por um, me entrego ao entusiasmo e à contemplação... Foi o que, aliás, também aconteceu quando assisti “Ilha do Medo”, cujas qualidades descreverei em outra ocasião, porque me proponho a falar de Bergman hoje. Mais especificamente sobre “Persona”. Então porque falei do filme do Scorcese? Pelo fato de que ambos os longas falam de sanidade e loucura de maneira hipnotizante.

“Persona” estava na minha lista de pretendidos há algum tempo, mas todo filme tem seu momento certo. Tenho certeza que não teria degustado com tal prazer se o tivesse visto antes. Um cineasta que introduz você no universo do filme e dele próprio, antes da história começar, merece, no mínimo, 2h da nossa atenção. Para situar o expectador na insanidade da narrativa, Bergman usou imagens perturbadoras e desconexas antes do filme. Quando este começa, nós já estamos prontos para pirar juntos com a personagem_ ou as personagens? A trilha sonora opressora e os enquadramentos quase 3x4 sufocam, nos desestabilizam., encantam. Fora os diálogos que são de uma riqueza de entrega dos receios e dramas mais íntimos daquelas pessoas passeando pela tela. O preto e branco traz luz e escuridão, tão belos e perfeitos para prender nossa atenção ao que interessa.

Ainda não conheço bem Ingmar Bergman para dizer que terei por ele um amor eterno, mas digo com toda certeza que na minha primeira vez com ele, eu me apaixonei.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma noite fora de série

Quem disse que vida de adulto tem que ser chata? Numa proporção maior ou menor, todos nós! Mais ou menos dos 15 aos 30 anos somos alvejados com expectativas que incluem carreira, família, dinheiro, blá-blá-blá. Você tem que ter um bom emprego, ganhar bem, ter lindos filhinhos de bochechas rosadas. Tenta fazer diferente pra ver. Você precisa crescer, amadurecer, assumir responsabilidades, ou seja, virar um chato de galocha_ adoro essa expressão.

É exatamente diante desse dilema que se encontra o casal Phil (Steve Carell, de “Agente 86”) e Claire (Tina Fey, da série “30 Rock”) Foster. Com empregos tradicionais e rentáveis, dois filhos pequenos e saudáveis e um casamento pra lá de estável _quase estático_ e um dia-a-dia corrido, os Fosters se veem numa crise de tédio. Para quebrar o gelo da relação, Claire decide caprichar no visual e o casal vai num badalado restaurante no centro da cidade. È a partir daí que a confusão se inicia. Sem reservas no restaurante, eles fingem ser o casal Tripplehorn para conseguirem uma mesa. Eles só não poderiam imaginar que os Tripplehorns estavam sendo procurados pelo chefão do crime da cidade. Seguem-se, então, sequências ligeiramente tensas e de humor mais sutil, que a partir do meio do filme, se transformam em cenas mais cômicas_ um humor cínico, pouco escrachado_ e ágeis, com destaque para a perseguição de carro (sensacional!) e a dança do clube noturno (hilário!). Entre risos e as fugas do casal, o filme introduz algumas DRs na história, sempre com discussões breves com as quais todas as pessoas que já tiverem um relacionamento mais longo vão se identificar e rir de si mesmas. Lembra bastante a história de “Os Normais 2-A noite mais louca de todas”, sendo que Vani e Ruy são, de longe, muito menos família, se é que me entendem...

No fim das contas, o diretor Shawn Levy (“Uma noite no Museu”) conduz um filme que fala de relacionamento de maneira que o espectador não ache chato. Além do mais, o roteiro de Josh Klausner (“Shrek para sempre”) sugere que fazer do dia-a-dia algo mais emocionante pode ser mais simples do que se imagina_ concordo. Só cuidado pra não exagerar nas extravagâncias para não ir do adulto chato à criança quebrando vidraça da casa do vizinho...

Participações para lá de especiais de Mark Ruffalo (“Ilha do Medo”) com seu carisma rotineiro, Mark Wahlberg (“Max Payne”) com seus músculos definidos, Ray Liota (“Território Restrito”) com seu convincente bad guy e de James Franco (“Homem Aranha 3”) quase irreconhecível.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Respeitável público!

Não sou fã de Rock, de banda ou qualquer cantor ou artista. Tirando minha admiração particular pela Cássia Eller, que dá show agora em outro plano astral, curto Rock como quem curte qualquer boa música de sua preferência. E considero os shows de Rock os mais espetaculares, especialmente pela força do som e aquele faz-de-conta-que-sou-rebelde, personagem muito divertido que adoro interpretar.
Entretanto, é lamentável que o show do Guns and Roses ontem na Apoteose tenha sido desperdiçado pelo atraso de 2h30min no melhor estilo “foda-se” de ser. Sem justificativa, sem satisfação ao público. Nada foi dito. O Sebastian Bach que veio abrir o evento deu um show de verdade: o cara era pura disposição, simpatia e vontade de zoar com a galera. Interação total público-artista, satisfação para todos. O público reconheceu o empenho do Sebastian, aplaudindo muito no fim do show. Um espetáculo!
Mas, após a saída de Sebastian do palco, o tédio, o cansaço e a irritação abateram o público presente que iniciou uma constante e justa vaia coletiva, xingamento em coro etc. Afinal, ninguém tinha que trabalhar hoje, todos podiam esperar a noite inteira até que o Guns achasse que era hora de dar às caras, né? Fiquei extremamente irritada porque o show tinha tudo pra ser incrível, mas na hora que começou, as pessoas estavam tão cansadas que queriam mais era ir pra casa dormir. E muitas abandonaram o show antes de começar e ao longo do mesmo. Platéia fria, show frio. O som estava impecável, as luzes, cenário... Tudo como deveria ser. Mas, já era tarde. Literal e figurativamente. O descaso escroto da banda estragou uma noite que poderia ter sido memorável.
Aos fanáticos imbecis que vierem dizer que quem não aguenta, não vai a show de Rock, eu digo: fui no U2 em SP, ida e volta no mesmo dia, fiquei no estádio das 15h às 22h para ver o show dos caras e eles tiveram o RESPEITO de iniciar o show pontualmente. Palmas pra eles! Showzaço!Porque o que cansa/irrita/frustra não é a espera, e sim não saber sequer se vai assistir ao show. Se ser fã é dar a cara pra bater e ainda achar que merece, prefiro continuar meu itinerário de apreciadora apartidária da música.
Respeitável público, os caras do Guns foram, ontem, um bando de palhaços!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sede de Sangue.

Filme de vampiro que se preze tem que ter sangue. Não uma cachoeira trash e tão pouco somente umas gotinhas tímidas escorrendo no canto da boca do predador. Tem que ter aquela quantidade certa que torna o vampiro repulsivo e magnetizante, afinal, quem não sente medo de um humano sobrenatural sanguessuga e, ao mesmo tempo, consegue não ficar hipnotizado para um vermelho vibrante? No caso do filme do diretor e co-roteirista Chan-wook Park (o mesmo de Oldboy), o vermelho sanguíneo é utilizado na medida certa para colorir os cenários pálidos do início da história e contrastar com o fundo branco recorrente e o figurino em tons de preto e azul dos protagonistas_ destaque para os belos tons de azul dos vestidos de Tae-joo, personagem da atriz Ok-vin Kim_ no terço final.

Sang-hyeon (vivido por Kang-ho Song) é um padre coreano que trabalha junto a um hospital, orientando espiritualmente aqueles à beira da morte e seus parentes. Sang-hyeon, além de atuar nesta fronteira entre a vida e a morte, transita numa outra fronteira ainda mais complexa: aquele deserto sem lar que separa a ciência da religião. Sang-hyeon acredita que a ciência está a serviço de Deus e que seu rebanho deve rezar e tomar todos os remédios prescritos. O padre acredita na fé, mas não acredita em milagres. Diante dessa contradição, numa decisão auto-flagelativa, se oferece de cobaia a um experimento que busca a cura de uma doença infecciosa e, durante o processo, acaba virando vampiro.

Bem, quem gosta de vampiros sabe que o sangue vampirizante não tem uma explicação lógica, uma origem conhecida ou uma referência estritamente sobrenatural. Diz-se que a Porfiria, uma doença sanguínea rara, estaria por trás da lenda vampiresca. Especulações draculescas à parte, o sangue do vampiro tem o poder de transformar outros humanos em vampiros. Aliás, ser vampiro é uma condição de deixar de ser humano? Questão sempre presente nesses filmes, nunca respondida. Uma criatura que vive nas sombras, bebendo sangue pra “viver”encontra-se também numa fronteira entre vida e morte. E o padre segue seu martírio... Angustiado e cheio de culpa por ter desenvolvido seus instintos e aguçado seus desejos acaba, naturalmente, se apaixonando por Tae-joo_ jovem de fragilidade duvidosa. O padre perdido do seu rebanho se depara com um lobo em pele de cordeiro e se entrega.

Na forma realista e orgânica de tratar a sexualidade e a exposição das entranhas, “Sede de Sangue” lembra muito o longa “Deixa ela entrar”, embora o filme sueco tenha todo um jeito de obra de arte cinematográfica. A sonoplastia faz tudo parecer muito suculento, se é que me entendem.... A saga de contradições do padre-vampiro tem um conteúdo dramático e filosófico muito bom, belas cenas do típico tesão-reprimido-oriental que fazem o expectador querer estar em outro lugar e sequências que misturam um quê de macabro e humor negro que agrada em cheio os amantes desses conteúdos. Aliás, como bom filme de vampiro, segue-se uma história de amor e, por este sentimento, mata-se e morre-se.

Filme ótimo para os que se deliciam com uma obra vampiresca realista de amor-terror e não muito indicado para aqueles mais sensíveis, adeptos dos filmes de sessão da tarde.

terça-feira, 30 de março de 2010

… eu uso ó-cu-loooos!

Esse fim de semana eu assisti ao documentário “Herbert de perto”. Embora conheça e goste da maioria das músicas dos Paralamas do Sucesso, não conhecia bem a trajetória do grupo. Na verdade, nunca procurei saber muito também. Meu conhecimento de cultura musical é muito mais restrito que meu conhecimento sobre cinema que já nem é isso tudo. Além disso, tenho um gosto particular por redescobrir ou destrinchar aquilo que parece já esclarecido. Acredito que em tudo na vida há sempre o que desvendar. Detalhes e idiossincrasias me interessam...

O documentário, embora o título sugira, não fala só do Herbert. Ele funciona como eixo para uma viagem na trajetória da banda e para retratar um pouco a história do Rock nacional_ as fotos deles com a galera do Legião em Brasília são emocionantes. Mas Herbert Viana está lá o tempo todo, mostrando que Clark Kent não precisa tirar os óculos para ser Super-homem. Aliás, foi com a música “Óculos” que a banda decolou, com uma letra que mostra como podemos fazer de um incômodo um sucesso. Herbert resolveu transformar sua falta de jeito em conquistar as meninas em música. Eu o entendo, também uso óculos e devo testemunhar que as pessoas nos veem de forma diferente. Com óculos, ganhamos um ar intelectual-nerd, o que faz pensar que somos inteligentes-chatos e isso não é sexy. Aliás, um recurso recorrente no cinema e na televisão é a pessoa aparecer de óculos para “enfeiá-la” e depois se livrar deles, ficando atraente. Juro, não é piada de filme do Super-homem! As pessoas não reconhecem a gente sem óculos!

Mas, voltando ao documentário... É a partir desse sucesso que a banda deslancha e Herbert deixa pra trás o sonho de ser piloto da aeronáutica, já anteriormente negado pelos problemas de visão do cantor. Os Paralamas, então, emendam um sucesso atrás do outro e Herbert se vê numa situação financeira que o permite pilotar de forma amadora. E o sonho negado na juventude acaba sendo o meio dele tragicamente perder a mulher e ficar com graves sequelas após o acidente de avião há alguns anos atrás. Fiquei pensando muito sobre isso. Ele deu uma volta imensa na vida para voltar ao ponto original: a aviação, o sonho de menino. E o sonho se transformou em pesadelo num instante. Por outro lado, se ele não tivesse aprendido a voar, é provável que passasse a vida frustrado, pensando em como seria a vida se tivesse sido piloto. Até onde um sonho é um sonho ou uma obsessão, uma teimosia? Até onde devemos seguir e quando é a hora de parar? Perguntas intrigantes sem respostas definidas.

Há uma cena marcante em que Herbert hoje assiste a um vídeo em que ele mesmo, nos seus 20 e poucos anos diz mais ou menos assim: “Não há nada que eu sinta que eu não possa fazer. E se um dia algo acontecesse e mudasse a minha vida de forma radical, eu começaria tudo de novo, do zero...”. E, inevitavelmente, me veio à mente a frase: “Cuidado com o que você deseja”. A vida dele virou do avesso e como prometido, mesmo cheio de limitações e dores, ele recomeçou apoiado no afeto das pessoas e em seu amor pela música. Um cara de garra e de fé.

Herbert, de longe, é um personagem notável. Possui uma forma singular de elaborar seus pensamentos e de acreditar em sua conexão metafísica com o universo. No mínimo, um cara interessante de se ouvir.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dupla Implacável.

Me parece que depois de seu longa “Busca Implacável”, vai virar tendência os filmes de Pierre Morel serem implacáveis, mesmo que na realidade não sejam tanto assim. “Dupla Implacável” não é um filme com um protagonista obcecado por justiça ou por vingança que vai às últimas consequências para atingir seus objetivos. Definitivamente, não!

Sabe o cara careca de cavanhaque? Por incrível que pareça, é o John Travolta. Bom, para levar John Travolta na pele do espião americano Charlie Wax à Paris e não ficar parecendo que ele está varrendo gangues no Brooklin, radicalizaram no visual do ator, deixando apenas um pouco do senso de humor pretensioso americano, a dose certa pra ser divertido em Paris. Inclusive, o cinema americano deveria adotar essa dosagem, porque o excesso de pretensão no senso de humor deles é irritante.

Falando em trilha sonora, essa é boa, introduzindo o espectador à história com uma música charmosa francesa logo na primeira sequência do filme - você está em Paris, tá? -, seguindo pela projeção com sons mais pesados eletrônicos e o bom Rock’ n roll nas cenas de mais ação.

Charlie Wax (John Travolta ) chega à Paris para fazer uma parceria com o personagem engravatado e poliglota James Reece, vivido por Jonathan Rhys-Meyers, numa missão em prol da defesa da embaixada americana contra o terrorismo paquistanês. Wax é o cara da ação - como mestre Miyagi ensinou ”Wax on, Wax off” -, aquele que resolve tudo no tiro e no braço no melhor estilo 80’s, equipado com apetrechos tecnológicos do século XXI. James Reece é um agente infiltrado na Embaixada Americana que almeja ser promovido a Charlie Wax, coitado… A parceria entre os dois é no mínimo curiosa, o não menos clássico o-cara-que-pensa-e-o-cara-que-bate, embora, ao longo da projeção, ambos os personagens vão mostrando que são um pouquinho mais complexos. Só um pouquinho. Aquela profundidade que satisfaz um filme de ação.

Aliás, voltando ao título… O filme nem é “De Paris com Amor” - que título é esse?! - (From Paris With Love), nem “Dupla Implacável”. É um filme com uma boa dose de tensão que intercala boas cenas de ação - embora o recurso bullet time-Matrix usado não se encaixe no perfil do filme -, com destaque para a cena da escada em que Wax vai “limpando” o caminho para Reece subir, ótima! O roteiro não é escandalosamente óbvio a ponto de ofender o senso crítico dos menos adeptos a filmes de ação e certamente agrada àqueles que gostam de tensão, ação e umas reviravoltas na história. Mas, como um filme de ação que se preze, tem sua escorregada americana-melodramática no final, como se o longa se explicasse: “Sou um filme de ação, mas também tenho sentimentos”. Está bem, a gente acredita.

E não, não vou contar detalhes da história, senão estragaria o que há de interessante no roteiro. Filmes de ação são assim, se você conta demais, sobra só um monte de cenas de ação. Quem não curte muito esse gênero vai conseguir se divertir. Aqueles que curtem o gênero, preparem-se para ver um pouco mais que ação.


Também no: http://portalplustv.com.br/portal/cinema/critica-dupla-implacavel/

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

“Te amarei para sempre” e “Terra de Sonhos”



Dois filmes que falam de amor incondicional, de maneira encantadora e com uma beleza rara, humana. E também de perdas. Dois filmes emocionantes, com personagens que cativam das cenas mais simples as mais impactantes.
Em “Te amarei para sempre”, Henry e Claire são um casal conectado e separado pelo tempo. Henry nunca sabe quanto tempo pode ficar, quando vai desaparecer e surgir num outro ano, em outro lugar, sempre atraído a acontecimentos importantes da sua vida. Um viajante do tempo que se desmaterializa diante dos olhos apaixonados de Claire, tão verdadeiro e tão impalpável como o próprio sentimento que os une. O amor entre eles surge entrelaçado nas linhas do tempo, sem linearidade, sem uma história de passado, presente e futuro pra contar. Eles se amam. Não importa como ou quando e eles tem a certeza que nunca deixarão de se amar. A história nos leva a refletir sobre nossos sentimentos e as vezes que deixamos de viver o amor com medo de sofrer e acabamos por sofrer do vazio que isso proporciona. Porque amar não é uma escolha, acontece, como diz Claire numa cena do filme.
“Terra de Sonhos” encanta com o mesmo tipo de amor inabalável que une o casal Johny e Sarah e suas duas filhas Christy e Ariel. Eles emigram para os EUA na tentativa de recomeçar a vida após uma tragédia pessoal e são tão absurdamente harmoniosos e criativos que nos convencem que é possível ser feliz em qualquer lugar, de qualquer jeito. A pequena Ariel é a criatura mais fofa que já vi num filme, e ao mesmo tempo que parece sempre encantada com tudo, mostra-se muito sensível ao distanciamento emocional que o pai criou desde o evento que fez a família partir. Christy sempre silenciosa munida com sua câmera intriga e emociona. O vizinho africano que pinta quadros com a fúria dos que sabem a importância do que se tem pra perder na vida...Ele é apaixonado por tudo que é vivo e logo se apaixona por essa família também e a família aumenta. O filme fala de perdas sim, mas baseado nas perdas, a história nos mostra os ganhos com uma dimensão mágica e a vida parece ser muito mais incrível do que costumamos achar. Afinal, como diz um dos personagens, nós nunca estamos satisfeitos com o que temos.